Viajar é cada vez mais preciso – Época NEGÓCIOS | Sociedade.com

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Bondinho do Pão de Açúcar no Rio de Janeiro ; Morro da Urca no Rio ; turismo ;  (Foto: Thinkstock)
Bondinho do Pão de Açúcar no Rio de Janeiro ; Morro da Urca no Rio ; turismo ; (Foto: Thinkstock)

Bondinho do Pão de Açúcar no Rio de Janeiro  (Foto: Thinkstock)

Nem crise econômica ou atentados terroristas detêm nosso desejo de fazer as malas. Há 60 anos em expansão, o turismo é uma das mais lucrativas e dinâmicas atividades econômicas. Essa indústria gigantesca emprega 10% da mão de obra global e responde por 10% do Produto Interno Bruto (PIB) do planeta. Se os franceses e até os cariocas não aguentam o tranco hoje, imagine em 2030, quando haverá 1,8 bilhão de turistas estrangeiros em circulação. Os números são da Organização Mundial de Turismo, ligada à Organização das Nações Unidas (ONU), e do Conselho Mundial de Viagens e Turismo.

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A internet tem tudo a ver com essa imensa jornada – e o caso brasileiro é ilustrativo. Apesar de sermos conhecidos tanto pelas belezas naturais quanto pela violência, batemos recorde de visitantes estrangeiros em 2016, ano da Olimpíada e Paralimpíada. Recebemos 6,6 milhões de turistas de outros países (especialmente da Argentina e Estados Unidos), 4,8% a mais do que no ano anterior, de acordo com dados do Ministério do Turismo. Quase metade desse público se informou sobre o Brasil pela web – já parentes e amigos influenciaram a escolha do destino em 30% dos casos.O digital transformou radicalmente nosso jeito de viajar. Barateou, simplificou e personalizou todo o processo. Até os anos 1990, quase tudo girava em torno da agência de turismo física – ela vendia pacotes fechados (com hotel, transporte e passeios) e cabia aos viajantes se adaptar e seguir o guia. Hoje, com aplicativos e sites especializados, predomina o turismo independente – cada um monta, compra e executa seu próprio roteiro. Estima-se que 50% das vendas do setor aconteçam on-line nos Estados Unidos e na União Europeia. No Brasil, esse número fica próximo de 25%.O espírito aventureiro também deu uma guinada. Com o Google e redes sociais, sabemos tudo sobre um destino antes de desembarcar nele. Um vasto acervo de imagens e depoimentos sobre cidades, recomendações de hospedagem e restaurantes, ranking de atrações, entre outras informações, lota nossa bagagem mental previamente. Durante a viagem também não faltam dados, mapas e dicas em tempo real. Perder o rumo e passar sufoco, só se acabar a bateria do smartphone.Por um lado, o ato de viajar vem ser tornando tão predizível quanto aritmética. Por outro, acabou a surpresa provocada pelo acaso e pelo desconhecido. Chegamos aos lugares para rever o que já vimos pelo celular. Aliás, ele modificou a ideia de viajar como exploração de novos espaços, sejam interiores (em nós mesmos) e exteriores. O fetiche por carimbos no passaporte – eram a prova de que experimentamos o mundo – foi substituído pela ânsia de capturar, compartilhar e “taguear” toneladas de fotos e vídeos.É raro encontrar um turista flanando em busca de contato direto com as pessoas, histórias e paisagem que o rodeiam, sem que haja uma tela no meio do caminho. A verdade é que parece termos substituído a vivência da viagem – e todos os desafios e imprevistos que isso envolve – pelo registro dela. Além do risco de topar com um poste, há sempre o perigo maior de ignorarmos tudo o que está fora do enquadramento da pequena telinha. 

*CEO da Dentsu Aegis Network Brasil e Isobar Latam

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