Retrospectiva 2017: 17 fatos que marcaram a saúde no mundo | Saúde é Vital

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retrospectiva 2017
retrospectiva 2017

Onde mais avançamos… e onde mais regredimos no ano que está passando (Ilustração: Redação SAÚDE/SAÚDE é Vital)

Os últimos dias de um ano são uma ótima oportunidade para refletirmos sobre avanços e retrocessos. E por que não fazer  essa retrospectiva na área da saúde? Selecionamos os fatos mais marcantes de 2017 para que você continue caminhando no sentido do bem-estar e da qualidade de vida.

1. O ano do mindfulness

A técnica que treina a atenção plena foi citada em nada menos que 24 500 artigos científicos em 2017, segundo o site Google Scholar. Com um programa de treinamento que envolve exercícios diários de meditação e conceitos facilmente aplicáveis no dia a dia, o mindfulness ganhou popularidade justificada.

Estudos mostram que o simples fato de tirar a mente do piloto automático e focar no momento presente já ajuda no tratamento de uma série de condições, da redução do estresse ao melhor controle de doenças cardiovasculares.

Mas os especialistas alertam: ele não é uma solução mágica para tudo e exige dedicação aos exercícios e disciplina para surtir efeito.

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2. A vacina para HPV foi ampliada para os meninos, mas não emplacou

No começo do ano, meninos de 12 e 13 anos foram incluídos no esquema de vacinação da rede pública, que foi ampliado mais uma vez em junho para incluir garotos entre 11 e 15 anos. Portadores do HIV e outras condições que exigem o uso de drogas imunossupressoras, como câncer e transplante de órgãos, entre os 9 e 26 anos de idade, também entraram no programa.

Isso é ótimo não só porque a vacina é eficaz, mas porque por trás de verrugas genitais e diversos tumores nos homens e nas mulheres.

Só que, depois de uma ótima estreia em 2014 nas meninas entre 9 e 13 anos, a vacina que protege contra quatro tipos do HPV sobrou nos postos esse ano. Um pena.

Veja mais:

3. As fake news dominaram a internet

E não foram só as notícias falsas sobre saúde, aliás. O problema foi tamanho em departamentos como a política que o dicionário Collis, um dos mais prestigiados do mundo, . Já o Facebook anunciou a contratação de mil pessoas pelo mundo para checar as notícias falsas que circulam por ali.

Embora fake news sejam histórias criadas para atender a interesses escusos, sejam eles econômicos ou políticos, boatos sem fundamento científico por si só já merecem atenção. É o caso das informações tortas sobre emagrecimento divulgadas nas redes sociais, assim como , que merece um tópico à parte.

4. As vacinas perderam território

. Uma mãe foi presa nos Estados Unidos por se recusar a vacinar seu filho em outubro e, na Europa, desde 2016 foram registrados 19 mil casos de sarampo e 44 mortes relacionadas à doença, que é completamente evitável com a imunização.

Boatos antigos ? e já desmentidos ? sobre efeitos colaterais encabeçam a lista de argumentos deste movimento. É uma desinformação com repercussões nefastas.

Já no Brasil, país cujo programa de vacinação é referência no mundo, . Mas, segundo o Ministério da Saúde, o problema está mais relacionado a uma desvalorização da importância das vacinas, já que muitas doenças, como o sarampo e a pólio, estão erradicadas no Brasil e não assustam mais os pais.

Só cabe o alerta: o sumiço dessas enfermidades se dá porque ainda hoje as crianças tomam vacinas contra elas. Se isso parar, essas encrencas podem voltar a circular no país.

5. Voltamos a falar sobre suicídio (mas agora é preciso avançar)

. E, em 2017, os casos de pessoas que tiraram a própria vida assustaram pela proximidade ou pela surpresa: jovens, adolescentes, celebridades, empresários…

No início do ano, a série “13 Reasons Why”, da Netflix, fez o tema disparar, para o bem e para o mal, em popularidade. E o ?jogo? Baleia Azul colocou mais combustível no fogo. Assim, um tópico que sempre foi tabu voltou às páginas da imprensa.

Só falta agora discutir a saúde mental na prática. Afinal, de acordo com a Organização Mundial de Saúde, 90% dos suicídios seriam prevenidos se o assunto fosse colocado mais em pauta e se as pessoas em sofrimento recebessem apoio de verdade.

Leia mais:

6. A gordura saturada não foi liberada para consumo

Um grande estudo divulgado no segundo semestre causou burburinho no mundo da nutrição. , sugeriu que os carboidratos podem ser mais danosos do que as gorduras para a saúde.

A pesquisa envolveu dezenas de países e mais de 130 mil participantes, e concluiu que a mortalidade dos indivíduos que exageram nos pães era maior do que a do grupo que privilegiava as fontes de gordura.

Só que o grupo das massas pesava muito a mão no consumo desse grupo de nutrientes, enquanto o outro ficava praticamente dentro dos limites diários recomendados. Por isso, nada de sair comendo todo o churrasco que quiser por aí.

Entenda:

7. O número de cesáreas caiu pela primeira vez no Brasil

. É uma queda de 1,5 ponto percentual em relação ao ano passado ? e a primeira desde 2010.

Embora as cesáreas ainda representem a maioria dos nascimentos por aqui, os médicos veem motivos para celebração. É que esse tipo de parto, quando realizado sem necessidade, .

8. O jejum intermitente virou moda para emagrecer e ser saudável

Uma moda que, aliás, exige uma dose de cautela. Isso porque o jejum, cujo maior mérito parece estar em prolongar a duração da vida de animais de laboratório, não está totalmente consagrado como tática para emagrecer ou mesmo prevenir doenças.

Outro ponto: não é lá muito fácil manter-se de barriga vazia por anos (e a alimentação saudável preconiza bons hábitos para o resto de vida). Fora que o jejum aumenta o risco de supercompensações: o sujeito não aguenta ficar sem comer e ataca a geladeira com tudo.

Saiba tudo sobre o assunto aqui:

9. A obesidade saltou 60% em dez anos no Brasil

O dado impressionante é , pesquisa realizada pelo Ministério da Saúde com mais de 50 mil pessoas. E tem mais: o excesso de peso atinge 53% do país ? mais homens do que mulheres.

Não é à toa que as doenças crônicas relacionadas aos quilos a mais, como diabetes tipo 2 e hipertensão, também viram seus índices subirem a patamares nunca antes atingidos.

10. A revolução no tratamento contra o câncer chegou

Depois de oferecer alternativas para o combate de tumores contra os quais não se podia fazer muita coisa, a imunoterapia deu um salto ainda mais importante este ano, com O método, autorizado em 2017 nos Estados Unidos para o tratamento de um tipo de leucemia, reprograma as células de defesa da própria pessoa para atacar o câncer.

De maneira simplificada, os anticorpos são retirados, levados para o laboratório e, uma vez lá, ?treinados? para reconhecer e atacar os tumores ? que, aliás, só fazem tanto estrago porque enganam o nosso sistema imune. Ainda é preciso vencer alguns efeitos colaterais e estudar mais a eficácia de técnica em outros tumores, mas os médicos estão confiantes.

Saiba mais:

11. Dietas sem glúten fazem até mal (em quem não precisa)

Não é só que o método é ineficaz para emagrecer no longo prazo. Se são indispensáveis para os portadores de doença celíaca ou sensibilidade não celíaca ao glúten, por outro devem ser evitadas pelo resto da população.

E este ano diversos estudos pipocaram pelo mundo para provar esse argumento. Um dos mais robustos, da Universidade Harvard, nos Estados Unidos, avaliou 200 mil indivíduos por três décadas, e viu que a exclusão das fontes dessa proteína estava ligada a um maior risco de diabetes tipo 2. É que as fibras do trigo, da cevada e do centeio ? alimentos com glúten ? ajudam a constituir uma microbiota intestinal saudável, além de regular o colesterol.

Outros trabalhamos apontaram ainda que os produtos sem glúten podem ser mais calóricos do que os originais. Suspeita-se que os fabricantes carreguem na gordura para compensar a falta dessa substância.

Explicamos tudo nesta matéria:

12. A cirurgia bariátrica é cada vez mais comum

Depois de uma ampliação de indicação em 2016, a operação de redução de estômago virou um procedimento ainda mais versátil. Historicamente vista como um tratamento para a obesidade, e até. E, até por isso, chegou a mudar de nome: agora atende por cirurgia metabólica.

O assunto rende muita discussão, mas uma coisa é certa: o cirurgião não resolve os problemas sozinho. Sem a indicação e o acompanhamento adequados, o peso volta e as mudanças metabólicas podem sumir.

13. Um comprimido para prevenir a aids chegou ao SUS

Ninguém discorda que a camisinha é o melhor método para impedir a transmissão do HIV. O problema é que nem todo mundo a utiliza, e isso faz com que o número de infectados pelo vírus cresça, especialmente entre os jovens. Nesse público, a prevalência da doença dobrou nos últimos dez anos.

Pensando nisso, o governo passou a oferecer em dezembro de 2017 a profilaxia pré-exposição (PrEP). São comprimidos com doses menores de antirretrovirais que impedem o vírus de se instalar no organismo. Difícil mesmo é vencer os preconceitos e tabus que ainda afetam as populações mais vulneráveis ao HIV.

Veja mais sobre estes e outros pontos importantes no combate à doença: 

14. A febre amarela deu as caras, mas está tudo bem

Em outubro, u. O animal tinha o vírus da febre amarela, diagnóstico que depois foi confirmado em mais dois símios e levantou um alerta pela cidade. Por precaução, a prefeitura fechou parques e promoveu um mutirão de vacinação na região.

Não há, contudo, motivo para pânico. Nenhum caso foi registrado em humanos e a variedade que acometeu os macacos é a febre amarela silvestre, que não é transmitida pelo aedes aegypti. De qualquer maneira, , a vacina contra o vírus será incluída a partir do ano que vem no Calendário Nacional de Imunização para os bebês.

15. Os limites para pressão arterial e colesterol estão mais rígidos

Em novembro, a American Heart Associação (AHA) revisou pela primeira vez em mais de uma década seu conceito de pressão alta. Ao invés de a hipertensão ser definida a partir de números superiores a 140 por 90 mm/Hg (ou 14 por 9), como antes, agora desceu para 130 por 80 (13 por 8). Lembre-se de que todo médico comemora quando seu paciente apresenta o famoso 12 por 8.

Segundo a entidade, indivíduos com pressão acima de 13 por 8 já têm . Tudo indica que as entidades brasileiras também irão baixar seus limiares nos próximos meses.

, especialmente para gente com maior risco cardíaco ? ou seja, que já possuem diabetes, pressão alta e por aí vai. A nova diretriz foi publicada em agosto pela Sociedade Brasileira de Cardiologia.

16. As crianças trans foram reconhecidas pela Sociedade Brasileira de Pediatria

Em junho, a entidade lançou um manual para orientar os pediatras sobre a disforia de gênero, quando a pessoa não se identifica com o órgão genital do nascimento. O fenômeno pode se manifestar logo cedo na vida, não acontece por influências externas e não deve ser tratado como uma doença a ser curada.

A entidade tocou no assunto porque identificar, acompanhar e apoiar as pessoas trans já na infância ajuda a evitar problemas psicológicos e até mesmo uma vida marginalizada no futuro. O que não quer dizer, ao contrário do que o preconceito prega por aí, que crianças recebam hormônios nem nada do tipo.

Entenda melhor aqui:

17. A maconha medicinal avançou no Brasil

Em janeiro, o primeiro medicamento à base de cannabis sativa foi registrado no país, o Mevatyl, usado no tratamento da . E o canabidiol, um dos princípios ativos da planta, deixou de vez o rol de substâncias proibidas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária, a Anvisa.

As liberações recentes são promissoras, mas muitas pessoas ainda brigam na justiça pelo direito de importar remédios à base da erva. Que, usada com a indicação certa, têm se mostrado uma , embora ainda faltem pesquisas em certas áreas.

A pressão popular e as evidências científicas do momento já fizeram a Anvisa afirmar, por meio de , que está estudando maneiras de regulamentar o cultivo doméstico para fins medicinais.

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